As regiões ganharam um papel preponderante como motor de modelos sustentáveis e de crescimento com recurso à capacidade que as tecnologias, a inovação, os novos modelos de gestão e talento podem aportar nas diversas áreas da gestão pública, sobretudo com impacto na criação de riqueza e na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Esta foi uma das principais conclusões da primeira edição do Fórum Regiões do Futuro 2015, que decorreu no Funchal no passado dia 20 de Março, em colaboração com a IBM Portugal, e que contou com mais de 100 representantes locais e do ecossistema das regiões do espaço Atlântico Euro-africano e da Confederação de Municípios Ultraperiféricos com papel ativo na transformação do poder local e na aposta das tecnologias digitais ao serviço de comunidades mais colaborativas.

Paulo Cafôfo, Presidente do Conselho Executivo da AMRAM, Presidente da Confederação de Municípios Ultraperiféricos e Presidente da Câmara Municipal do Funchal, referiu a importância dos projetos de cooperação como o VECINDAD – Rede Euro Africana de Munícipios, na resposta ao desafio de uma melhor administração eletrónica com base nas novas tecnologias, para fomentar a partilha de melhores práticas e competências entre as regiões, e conceber iniciativas concretas para a promoção do desenvolvimento económico e social e culturas mais cooperativas.

“Porque nem tudo se resume a tecnologia quando se fala em smart cities.
Também é preciso inteligência política, uma visão integrada que olhe o território como um todo, num processo em rede entre autarquias, empresas e universidades.
Terão de ser as autarquias a liderar este processo de tornar os territórios mais inteligentes.
Temos o conhecimento das necessidades, sabemos que projetos devem ser implementados e temos vontade de fazer e de inovar.
Só precisamos que os governos, da República e Regional, não compliquem e burocratizem, que valorizem as iniciativas dos municípios e sejam justos na distribuição de verbas comunitárias.
Ser smart é tudo isto. Ter visão e determinação, para com estratégia executar projetos com inteligência sustentável.
Serão estas as regiões do Futuro com Futuro.” Concluiu Paulo Cafôfo.

Para a IBM, que em Portugal tem estado envolvida ativamente em iniciativas com Lisboa, Faro, Porto, Tomar, Ponta Delgada, entre outras, vê as cidades inteligentes como um sistema de sistemas baseado em três pilares: talento, inovação e colaboração. António Pires dos Santos, Diretor de Smarter Cities da IBM Espanha, Portugal, Grécia e Israel, mencionou “a importância da inteligência que podemos incutir em tudo o que desenvolvemos, o imperativo da extração dos dados e a transformação em conhecimento, o papel da tecnologia digital e cognitiva no desenvolvimento e gestão das regiões com o objectivo de fazermos e sermos melhores no futuro”.

Durante a sessão foram debatidos temas como os modelos de governação mais integrados, a boa economia e a gestão energética, a inovação social, soluções digitais para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a reabilitação urbana, a capacidade dos recursos e do talento, entre outros, dando a conhecer alguns casos inspiradores.

Nesse contexto, foram apresentadas duas cidades vencedoras do Programa IBM Smarter Cities Challenge, Copenhaga e Joanesburgo, que são já exemplos de melhores práticas ao nível do planeamento e gestão das administrações municipais mais integradas e eficazes em áreas como a eficiência dos recursos naturais, energia, segurança, mobilidade, desenvolvimento de competências, progresso económico e inclusão social.

Vitor Pereira, distinguido recentemente com o prémio “Personalidade Smart Cities Live 2015”, atribuído pela Green Business Week, uma iniciativa da Fundação AIP, moderou um painel sobre inovação, sustentabilidade e competitividade na óptica das cidades mais pequenas e regiões periféricas, num painel que contou com intervenções de representantes da região da Madeira, da autarquia de São Domingos (Cabo Verde) e de Gossas (Senegal).

O Pró-Reitor da Universidade da Madeira, Prof. Doutor Leonel Nóbrega, encerrou o Fórum, salientando a importância de criar mais sistemas de sistemas liderados por um enquadramento que ligue talento, inovação e colaboração e a necessidade crítica de desenvolver o eixo que combina o mundo empresarial, académico e municípios para criar e formar os melhores ativos para responder aos desafios da construção de regiões mais inteligentes.

Este Fórum desenrolou-se no âmbito das atividades do ambicioso projeto VECINDAD -– Rede Euroafricana de Municípios (MAC/3/C174), financiado pelo FEDER no âmbito do Programa de Cooperação Transnacional MAC 2007-2013, que visa a cooperação com países terceiros e a articulação com a Grande Vizinhança, e que tem como parceiros as Associações de Municípios da Madeira, Açores, Canarias, Cabo Verde, Mauritânia e Senegal, abarcando 518 municípios que representam cerca de 18,8 milhões de cidadãos.

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